Iniciativa do RS busca identificar radicalização e tendência a violência extrema em jovens; redes sociais podem ser porta de entrada


Uso excessivo de telas e desestruturação familiar estão entre os fatores que contribuem para o fenômeno. Em um ano, 178 casos de adolescentes com tendências à violência extrema foram identificados. Como identificar no comportamento de jovens a tendência de violência extrema
Criado há um ano, o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema busca alertar e orientar a rede de proteção — composta por educadores, assistentes sociais e forças de segurança — sobre os sinais da radicalização e a violência extrema entre crianças e adolescentes a partir do ambiente digital.
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O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) está à frente do projeto pioneiro no Brasil para identificar e prevenir sinais desse fenômeno preocupante. O núcleo integra inteligência policial, tecnologia e promotorias da infância e juventude para detectar jovens em situação de risco.
Em um ano, 178 casos de adolescentes com tendências à violência extrema foram identificados, sendo 41 considerados graves e atualmente monitorados.
O Ministério Público do RS está à frente do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema
Reprodução/ RBS TV
Os sinais de alerta
O promotor de Justiça Fábio Costa Pereira, coordenador do programa, explica que há fatores-chave que contribuem para a radicalização juvenil. Entre eles:
o uso excessivo de telas sem supervisão parental;
a desestruturação familiar;
o bullying.
Celular
Reprodução/ RBS TV
Os jovens em maior risco costumam apresentar comportamentos como isolamento, desinteresse pelo ambiente escolar e uma obsessão por conteúdos violentos.
“É aquele que a gente vai dizer que é o quietinho, que não sai do quarto, que não incomoda. É claro que conjuntamente com isso vem outros sinais, como por exemplo o interesse imoderado pela violência, a falta de interações no mundo concreto, a falta de interesse pelo ambiente escolar, a falta de identificação no mundo escolar”, explica o promotor.
Redes sociais como porta de entrada
Mulher usando o celular
Reprodução/ RBS TV
Segundo a pesquisadora Michele Prado, especialista em extremismo e terrorismo online, grupos radicais utilizam plataformas populares para recrutar jovens. A estratégia envolve a atração inicial por meio de conteúdos engajadores, que depois redirecionam os adolescentes para espaços fechados em plataformas.
“Quando a gente tem muito discurso antissemita, muito discurso de apologia ao terrorismo, muito discurso de supremacia masculinista, naturalmente essas crianças e adolescentes ficam mais expostos a esse tipo de conteúdo e eventualmente eles vão passar a seguir uma dessas pessoas que propagam esses conteúdos e chegar a uma dessas subculturas online nocivas”, explica Michele.
Ela ressalta que o combate a esse problema exige um esforço coletivo:
“A gente precisa tentar fechar essas portas de entrada o tempo inteiro. a radicalização não envolve só o adolescente e aquela família, mas a sociedade inteira”, diz a pesquisadora.
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