Prêmio para Soja do Brasil Dispara após Tarifaço de Trump

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Os prêmios nos portos brasileiros para a soja dispararam nesta quinta-feira (3), sinalizando maior demanda pelo produto do Brasil após o anúncio da véspera do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um situação que tende a ser registrada em outros mercados agrícolas, como o algodão e o café.

A alta nos prêmios da soja também mais do que compensou uma queda nos contratos futuros da bolsa de Chicago, que foram pressionados pelas preocupações sobre medidas retaliatórias contra as exportações norte-americanas.

Os diferenciais da soja nos portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande em relação aos contratos futuros de Chicago chegaram a superar 1 dólar por bushel nas máximas do dia, segundo dados do centro de estudos Cepea, da Esalq/USP, enquanto na bolsa norte-americana a soja foi cotada em queda de cerca de 2% perto do fechamento.

“A alta dos prêmios é movimento dos importadores vindo buscar soja aqui no Brasil. A nossa safra recorde, a nossa logística está sendo basicamente ignorada pelo mercado, é um ano muito atípico”, afirmou Marcela Marini, analista de grãos e oleaginosas do Rabobank, à Reuters.

Geralmente, o mercado dá descontos ante a bolsa quando a origem tem safras abundantes ou desafios logísticos, como é o caso do Brasil.

Em Paranaguá, por volta das 15h, o prêmio da soja brasileira tinha alta de 46% ante o dia anterior, para 95 centavos de dólares. O avanço era de mais de 40% no porto de Santos, para 1 dólar, mesmo patamar registrado em Rio Grande.

A analista lembrou também que os preços da soja estão mais elevados no Brasil em relação ao ano passado, apesar de uma safra recorde, o que também é explicado pela maior procura de países como a China, que antes mesmo do novo pacote de tarifas de Trump já havia anunciado taxação aos EUA.

“A soja vai se beneficiar mais das tarifas, principalmente pelas tarifas que o Trump impôs à China”, disse Marini, prevendo que as exportações brasileiras este ano inclusive poderão se alongar mais, já que a expectativa é de menores embarques de milho, por questões de oferta e demanda locais.

No algodão, ela considera que a situação é semelhante à da soja. “Também é bem positivo”, disse, comentando que o Brasil ainda ampliou a área plantada, enquanto os EUA deverão reduzir em 2025.

Mais cedo, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que as tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos podem ser oportunidade para o agronegócio do Brasil, que é “muito competitivo”.

Café e a competitividade brasileira

Geraldo Barros, coordenador científico do Cepea, comentou que a expectativa é de que os prêmios do café nos portos brasileiros em relação às cotações das bolsas internacionais também devem se valorizar.

Mas isso aconteceria, por ironia, em meio a uma eventual maior demanda dos próprios Estados Unidos, os maiores consumidores globais, que aplicaram uma taxa ao Vietnã, segundo exportador de café, muito maior do que aquela colocada ao Brasil.

Os EUA anunciaram na quarta-feira tarifas de 46% sobre as importações do Vietnã, enquanto a taxa para o Brasil ficou em 10%.

“Certamente o prêmio vai aumentar no Brasil por conta do problema das tarifas, vai haver uma preferência para o café brasileiro por causa das tarifas, inclusive com as partes negociando”, disse Barros, considerando que eventualmente compradores poderiam dividir o custo adicional de 10% com os exportadores.

Os EUA foram o principal comprador de café do Brasil no ano passado, com 8,131 milhões de sacas, segundo dados do conselho de exportadores Cecafé.

Barros disse ainda que, de maneira geral, a tarifa básica de 10% colocada por Trump ao Brasil não deverá afetar as exportações do agronegócio para os EUA, devido à grande competitividade do setor no Brasil.

“O agronegócio consegue manter as exportações, claro que tem um efeito de curto prazo, o pessoal toma este choque, mas é possível uma adaptação”, disse ele.

Além de café, os EUA são grandes compradores de produtos florestais brasileiros, além de suco de laranja. No caso do etanol, as exportações brasileiras para os EUA, que já foram mais relevantes no passado, foram pequenas em 2024, e os efeitos da tarifa devem ser limitados, avaliou a Argus.

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