“O Fortnite É o Metaverso Que Deu Certo”, Diz Flakes Power

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João Sampaio, conhecido nas redes sociais como “Flakes Power”, se uniu a João “Biggie” e Lucas Lima para lançar uma escola de desenvolvimento de jogos com foco em Fortnite, a Arcode. Além da sede, em Joinville, Santa Catarina, cidade-natal do influenciador, a organização contará com uma plataforma online para os interessados Brasil afora.

A ideia para a capacitação surgiu a partir da experiência dos sócios Biggie e Flakes com a Level8, vertical focada em desenvolvimento de mapas para a comunidade do jogo e experiências personalizadas para marcas. Entre os clientes, estão Samsung, Coca-Cola, Red Bull e Mercado Livre.

“Temos estúdios parceiros que faturaram milhões de reais em cerca de um ano”, conta João “Biggie” sobre os negócios da Level8. De acordo com o empreendedor, o sistema de monetização da Epic Games, desenvolvedora do Fortnite, é democrático e descentralizado. “40% do faturamento líquido deles vai para um fundo. Depois, eles distribuem esse dinheiro entre os criadores, de maneira proporcional ao engajamento dos jogadores com o mapa criado”, explica.

No início deste ano, a companhia divulgou que 70.000 usuários construíram cerca de 137 mil mapas por meio do Unreal Editor For Fortnite (UEFN) em 2024. Para estes players, a Epic Games pagou um total de US$ 352 milhões — deste valor, 12,909 mil criadores receberam a parcela mais alta, acima de US$ 100 mil.

Os sócios viram neste mercado a oportunidade de capacitar a comunidade gamer brasileira. “Com uma experiência simples, com 30 jogadores simultâneos, a pessoa consegue arrecadar 800 dólares, isso dá quase seis mil reais. Para quem está começando, não existe oportunidade melhor. Ainda mais no Brasil, que é um país de amantes de games”, finaliza Biggie.

João “Biggie”, João Sampaio (Flakes Power) e Lucas Lima, sócios e co-fundadores da Arcode

Divulgação

João “Biggie”, João Sampaio (Flakes Power) e Lucas Lima, sócios e co-fundadores da Arcode

Em entrevista à Forbes Brasil, João Sampaio (Flakes Power) fala sobre a Arcode, o impacto do Fortnite no mercado de eSports e como conciliar a vida na internet com o mundo fora das telas. Confira:

Forbes Brasil: Você e o Biggie fundaram a Hero Base em 2021. Em seguida, a Hero Create e a Level8. Por que integrar um braço de capacitação nesse ecossistema?

João Sampaio: “O negócio da Arcode surgiu muito por acaso. Com a expansão da Level8, encontramos uma dor de mercado: existem poucas pessoas capacitadas para desenvolver mapas no Fortnite.

Então, os nossos estúdios parceiros tinham dificuldade para contratar profissionais e alavancar ainda mais o negócio. Involuntariamente, criamos uma escola interna para treinar quem nunca tinha trabalhado com o jogo e deu super certo.”

FB: Por que Joinville será a sede da primeira “escola”? 

JS: “Joinville é a minha casa. Sempre que eu posso, defendo Joinville com unhas e dentes, eu adoro esse lugar. É uma cidade com muitas empresas e que está crescendo em tecnologia. Hoje, criamos um polo gamer aqui, algo que nunca existiu. Além disso, por sermos daqui, fica tudo mais fácil, temos um bom relacionamento com as pessoas.”

FB: Qual é o seu papel como influenciador em mostrar esse outro lado dos “games” para os seus seguidores?

JS: “Eu acho que meu papel é mostrar para a galera que realmente é uma mega oportunidade. A Epic Games já deixou claro para nós que o User Generated Content (UGC) é o futuro da ferramenta [Unreal Editor For Fortnite]. E o dinheiro que a Epic está injetando nisso é absurdo. 

Quando o assunto é desenvolvimento de jogos, normalmente é algo muito distante, até porque, ganhar dinheiro com isso, principalmente no Brasil, é muito difícil. Então, essa é uma das maiores oportunidades para alguém que quer começar hoje.

FB: Vocês já fecharam projetos com gigantes como BYD, Samsung e Coca-Cola. O que as marcas ganham com essa interação com o jogo?

JS: “Eu considero o Fortnite como o metaverso que deu certo. Durante a pandemia, todo mundo falou em metaverso, só que nada concreto foi feito. O Fortnite é a plataforma que chegou mais perto de criar algo realmente relevante. O show do Travis Scott, que colocou milhões e milhões de pessoas simultâneas no jogo, é um exemplo.

A Epic acabou de lançar o Crocs e a Adidas no Fortnite. Olha, eu tenho minha própria skin [personagem] dentro do jogo. Ou seja, eu posso jogar com a minha skin, calçar um Crocs nela e, por exemplo, acessar o universo do Itaú. Então, é realmente um ambiente perfeito para uma marca poder trabalhar.”

FB: Fora das telas, você é uma pessoa centrada. Como não se deslumbrar com o universo das redes?

JS: “Meu pai é empresário há mais de 30 anos, a educação que eu recebi da minha família foi muito foi pé no chão. Sempre que a galera aparece com um projeto maluco, eu digo: ‘Calma, não é assim que funciona’.

Como qualquer empresário, a gente cometeu muitos erros no caminho, apostamos em coisas que não deram certo. Mas isso foi muito importante para o nosso crescimento. Para chegar até esse momento e entender que temos algo único nas mãos.”

FB: Como separar a vida profissional da pessoal quando se trabalha com a internet?

JS: “Olha, vou te falar que nisso eu dou aula. Eu separo as coisas há anos. Antes do escritório, eu comprei outro apartamento só para deixar meu PC, então, todo o trabalho ficava lá, quando eu ia para casa, não tinha nem computador, e hoje segue assim. 

E o que me ajuda muito é não estar em São Paulo, porque eu sinto que a galera que trabalha com games em São Paulo, e acho isso vale para praticamente todas as áreas, só anda com quem faz algo parecido. Assim, qualquer assunto vira trabalho.”

FB: Você comentou que bateu 1 milhão de inscritos no primeiro ano de canal. Qual foi sua receita para o sucesso?

JS: “Olha, a sorte conta muito. Eu vejo muita gente falando que é só se dedicar, mas a sorte conta muito, isso é inegável. Porém, é preciso estar preparado para receber essa sorte.

No meu caso, quando comecei meu canal, estava jogando Clash Royale, esse jogo bombou e eu dediquei minha vida inteira para criar conteúdo, foram três anos, de segunda a segunda, sem feriado e sem folga.

Não foi um sacrifício porque eu adorava o que fazia. Eu sempre fui nerd de carteirinha. Então, ficar o dia inteiro trancado em casa jogando era incrível. 

Além disso, tomei boas decisões durante a minha carreira. Quando o Clash começou a cair, muitos influenciadores ficaram desesperados. Eu escolhi migrar para um jogo completamente diferente [o Fortnite], de uma plataforma completamente diferente, porque segui minha intuição.”

FB: Quais são suas metas para o futuro?

JS: “É muito louco falar de metas, sabe? Há uns 3 anos, eu disse: ‘Cara, já conquistei tudo o que eu queria, estou super bem’. Honestamente, estou sossegado com o que tenho, porque eu não sou uma pessoa ambiciosa. Mas sempre aparece algo novo pelo caminho, e eu não me fecho para as oportunidades. Tudo pode acontecer.”

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