Cortes na Selic estão condicionados à queda ‘mais clara’ da inflação e revisões das expectativas para 2026, diz Inter

O eventual início do ciclo de cortes na Selic está condicionado a uma redução mais clara da inflação brasileira, acompanhada de revisões das expectativas para 2026, avalia o Inter.

Segundo a economista-chefe do banco, Rafaela Vitória, o processo de desinflação pode ser mais rápido, caso o governo tenha maior disciplina na execução fiscal ao longo dos próximos meses.

Tal movimento reduziria os estímulos à demanda, aplicando as medidas aprovadas de contenção do crescimento de gastos e anunciando contingenciamento e bloqueio de despesas para o cumprimento do arcabouço fiscal, diz.

Por outro lado, Vitória destaca que novos estímulos podem manter a inflação em alta e resultar em uma continuidade do aperto monetário pelo Banco Central (BC).

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O Inter manteve o cenário de alta para a taxa de juros para 14,75% ao final do ciclo — maior patamar desde 2006. “Esperamos que o Copom eleve a Selic em 0,50 p.p. na próxima reunião em maio, sendo a última alta do ciclo”, afirma.

A economista destaca que o patamar de juro real já está bastante restritivo, próximo de 10%, enquanto o cenário indica que a atividade deve continuar em tendência de desaceleração, ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha alta no primeiro trimestre devido ao crescimento do setor agro.

Já o cenário externo ainda apresenta incertezas, mas o patamar do câmbio mais favorável também deve trazer alívio para os preços mais voláteis como alimentos e energia.

Na espera de contingenciamentos

Em linha com a expectativa de maior disciplina na execução fiscal, a economista-chefe do Inter destaca que o orçamento de 2025 foi aprovado, mas deve passar por contingenciamento e bloqueio na sequência.

“Apesar da revisão do resultado primário para um superávit esperado de R$ 15 bilhões pelo Congresso, a superestimação de receita e a subestimação do crescimento dos gatos obrigatórios devem resultar em um número menor, mais próximo de R$ 33 bilhões, totalizando um déficit de R$ 77 bilhões, ou 0,6% do PIB, cenário em que a meta do ano deve ser cumprida considerando a sua banda inferior”, diz.

Entre os destaques positivos do orçamento estão: a inclusão dos novos programas sociais dentro da meta e a expectativa de redução do Bolsa Família em R$ 8 bilhões. Isso “implica que o governo deve finalmente fazer alguma correção, ainda que tímida, das irregularidades”.

Do lado negativo, estão os desafios para 2026 que permanecem. “O crescimento vinculado das despesas com saúde e educação, da previdência e outros programas sociais indexados ao salário mínimo, cuja atual política de aumento real não é compatível com a necessidade de se alcançar superávit primário”.

Além disso, a maior carga tributária tira o potencial de crescimento da economia e a expansão da despesa pressiona a inflação, estimulando a demanda doméstica. Ou seja, a política fiscal segue desalinhada com a monetária e a resultante é um juro real elevado.

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