Valorização do Petróleo e Minério de Ferro Turbinam Ibovespa, Que Fecha em Alta; Dólar Avança

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O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (26), voltando a orbitar o patamar dos 133 mil pontos no melhor momento, em movimento apoiado pelas blue chips Petrobras e Vale, na esteira do avanço dos preços do petróleo e do minério de ferro no exterior.

No encerramento da sessão, o índice subiu 0,34%, a 132.519,63 pontos, marcando 132.983,92 pontos na máxima e 132.068,02 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$21,5 bilhões. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em queda de mais de 1%, em performance pressionada pelo recuo das ações da Nvidia e da Tesla, enquanto investidores permanecem atentos ao noticiário envolvendo a nova política comercial dos Estados Unidos.

Na visão do especialista em investimentos Lucas Almeida, sócio da AVG Capital, apesar da tensão externa, onde permanecem incertezas sobre as tarifas norte-americanas, o Brasil está se beneficiando de fluxo estrangeiro e recuperação de commodities. “Se o cenário externo não piorar, pode haver espaço para o mercado local seguir firme no curto prazo”, afirmou.

Já o dólar à vista fechou o dia em alta de ante o real, acompanhando o seu avanço no exterior em meio às preocupações em torno da política tarifária do governo dos Estados Unidos. A elevação foi de 0,43% ante o real e a cotação ficou em R$5,7328. No ano, a divisa dos EUA acumula queda de 7,22% ante o real.

Tarifas e FED

A sessão foi marcada pelo avanço do dólar ante a maior parte das demais divisas ao redor do mundo, em meio às preocupações sobre as tarifas a serem adotadas pelo governo americano. O presidente dos EUA, Donald Trump, convocou uma entrevista coletiva para anunciar tarifas sobre automóveis nesta quarta-feira, e ainda há dúvidas sobre como serão aplicadas as tarifas recíprocas prometidas para 2 de abril.

“As sinalizações vindas da Casa Branca hoje reduziram as esperanças de uma postura mais branda nas políticas comerciais do governo Trump 2.0 em relação à política tarifária”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. “Além disso, o presidente do Fed de St. Louis declarou que as incertezas geradas pelas tarifas podem levar o banco central americano a manter as taxas de juros mais altas por mais tempo”, acrescentou.

O presidente do Federal Reserve de St. Louis, Alberto Musalem, disse nesta quarta que os riscos de que a inflação dos EUA fique acima da meta de 2% ou até mesmo suba ainda mais no curto prazo cresceram em função das tarifas. “Se a economia continuar forte e a inflação permanecer acima de nossa meta, acredito que a política monetária atual, modestamente restritiva, permanecerá apropriada até que haja confiança de que a inflação esteja convergindo para 2%”, disse Musalem.

A perspectiva de juros altos por mais tempo nos EUA são um fator altista para o dólar ante as demais divisas. No Brasil, após marcar a mínima de R$5,6943 (-0,24%) às 9h04, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,7489 (+0,71%) às 13h16. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$6,765 bilhões em março até o dia 21, com saídas de US$6,754 bilhões pelo canal financeiro e saídas de US$11 milhões pela via comercial.

Destaque

– PETROBRAS PN avançou 0,94%, em dia positivo para petrolíferas, acompanhando a alta dos preços do petróleo no exterior, onde o barril de Brent fechou com elevação de 1,05%. No setor, BRAVA ENERGIA ON subiu 6,63%, tendo ainda no radar notificação da gestora BTG Pactual WM de aquisição de ações, atingindo aproximadamente 5,23% na empresa.

– VALE ON fechou em alta de 0,61%, endossada pelo avanço dos contratos futuros do minério de ferro na Ásia, apoiados pela demanda sazonal pela commodity, embora cortes de produção por parte de algumas siderúrgicas chinesas tenham limitado novos ganhos.

– BRASKEM PNA saltou 9,68%. Para Almeida, o movimento pode estar relacionado a uma possível expectativa de desinvestimentos ou reestruturação. Ele destacou que o papel está bastante descontado em relação aos pares e, diante do cenário técnico mais favorável, investidores parecem antecipar compras e pressionar novas altas no papel.

– LOCALIZA ON valorizou-se em 4,75%, no segundo pregão seguido de alta. Na véspera, a Abla, associação que representa locadoras de veículos do Brasil, afirmou que o setor não deve elevar as compras de carros novos este ano.

– AUTOMOB ON caiu 7,41%, tendo no radar proposta aprovada pelo conselho de administração para grupamento de ações na proporção de 50 por 1. Na véspera, as ações fecharam a R$0,27. A proposta será votada em assembleia de acionistas convocada para 25 de abril.

– JBS ON recuou 2,7%, mesmo após resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$10,79 bilhões nos últimos três meses do ano passado, alta de 111,4% ano a ano. A JBS se mostrou otimista apesar de cenário desafiador para carne bovina nos EUA. No setor, MINERVA ON caiu 3,18% e MARFRIG ON cedeu 1,48%.

– ITAÚ UNIBANCO PN encerrou em baixa de 1,08%, destoando da tendência positiva entre os grandes bancos de varejo do Ibovespa. BRADESCO PN avançou 1,63%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT ganhou 0,66% e BANCO DO BRASIL ON subiu 1,19%.

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