Phasecraft: startup britânica afirma ter multiplicado por 10 a eficiência das simulações quânticas

Um teórico avanço promissor no campo da computação quântica pode representar uma mudança radical no ritmo de desenvolvimento de materiais e compostos químicos. A startup britânica Phasecraft, sediada em Londres e Bristol, anunciou a criação de um novo algoritmo que, segundo seus cientistas, melhora em até dez vezes a eficiência das simulações quânticas — mesmo com o desempenho limitado das máquinas atuais.

O algoritmo, batizado de THRIFT, foi desenvolvido com o objetivo de tornar possível a aplicação prática da computação quântica muito antes do esperado, ajustando os cálculos para rodarem com mais precisão e velocidade nos dispositivos já disponíveis no mercado.

Simulando o mundo quântico com mais eficiência

Simulações quânticas são usadas para prever e entender interações moleculares extremamente complexas, que os computadores clássicos não conseguem modelar com precisão. Tais modelos têm o potencial de acelerar descobertas em áreas como energia, saúde e indústria, permitindo, por exemplo, a criação de baterias mais duráveis, eficientes e rápidas para carregar.

O THRIFT chamou atenção justamente por sua capacidade de ampliar o escopo e a duração das simulações em até 10 vezes, quando comparado aos métodos tradicionais. O desempenho do algoritmo foi validado em testes com um modelo de referência da física quântica, conhecido como modelo de Ising com campo transversal unidimensional, cujos resultados foram publicados nesta semana na revista Nature Communications.

Conseguimos uma melhoria de dez vezes usando as máquinas de hoje. Esperamos que esse número cresça conforme o hardware evolui e se torne mais resistente a erros e ruídos

Raul Santos, cientista-chefe da Phasecraft, ao site The Next Web (TNW).

De olho no presente, não apenas no futuro

Embora grande parte do setor aposte no desenvolvimento de máquinas quânticas cada vez mais potentes nas próximas décadas, a Phasecraft aposta em um caminho diferente: reformular os algoritmos para extrair o máximo dos computadores quânticos já existentes. A abordagem busca acelerar os benefícios práticos da tecnologia quântica, mesmo sem depender de um salto de hardware.

“Esse algoritmo foi projetado para funcionar de forma eficiente nas arquiteturas atuais, como os chips recentemente anunciados por Google, Microsoft e Amazon”, destacou Santos.

Divulgação/Phasecraft

Startup de origem acadêmica e parcerias de peso

A Phasecraft surgiu em 2019 como um spin-off das universidades de Bristol e UCL, fundada pelos professores Ashley Montanaro (CEO), Toby Cubitt (CTO) e John Morton (diretor).

Desde então, a empresa já captou mais de 20 milhões de dólares em investimentos e mantém colaborações com gigantes da computação quântica, como Google, IBM e QuEra.

Apesar do entusiasmo, o avanço ainda é uma promessa teórica. A própria Phasecraft admite que os resultados foram obtidos em ambientes de simulação e laboratórios, e sua plena aplicabilidade dependerá da evolução gradual do hardware quântico e de melhorias contínuas em tolerância a erros.

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A nova corrida quântica

Nos últimos meses, os principais players da tecnologia vêm intensificando seus esforços na computação quântica. O Google lançou o chip Willow, a Microsoft apresentou sua abordagem com qubits Majorana, e a Amazon revelou seu sistema Ocelot. Todas essas inovações formam o terreno fértil para algoritmos como o THRIFT ganharem mais espaço.

Enquanto o setor ainda debate quando a computação quântica terá impacto direto em produtos e serviços, soluções como a da Phasecraft indicam que a corrida pela utilidade prática já começou — com startups tentando dar o primeiro passo antes dos gigantes do setor.

Fonte: The Next Web

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