Quem é o Bilionário das Criptomoedas Que Ajudou os Trumps a Faturarem US$ 400 Milhões

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Justin Sun adora um truque publicitário. Mas, ao salvar a empreitada cripto de Donald Trump — rendendo ao ex-presidente e sua família US$ 400 milhões (R$ 2,28 bilhões) — Sun utilizou os seus esforços para criar um sistema global de pagamentos, usando sua plataforma Tron, que já conta com 300 milhões de usuários e continua crescendo.

Empresário de origem chinesa do ramo de cripto e blockchain, Sun começou a admirar Trump ainda no ensino fundamental, enquanto vivia em Huizhou, uma cidade de 6 milhões de habitantes na província de Guangdong, ao norte de Hong Kong. Seu professor incentivava a turma a assistir à televisão americana para aprender inglês coloquial, então Sun usou o BitTorrent — um serviço de compartilhamento de arquivos peer-to-peer que, anos depois, ele viria a possuir — para baixar reprises de “O Aprendiz”.

O reality show fez muito mais do que ensiná-lo a pronunciar o famoso bordão de Trump: “você está demitido!”. Sun, ainda jovem, ficou fascinado com as lições do magnata americano sobre competição implacável, espetáculo e, claro, ego — valores que iam contra os princípios do confucionismo e do socialismo chinês. Mas eram os anos 2000, e as reformas implementadas por Deng Xiaoping haviam aberto a China ao capitalismo — especialmente na próspera Shenzhen, que faz fronteira com Huizhou. “Era natural que ‘O Aprendiz’ fizesse sucesso na China”, diz Sun.

Por isso, parecia destino — ou talvez apenas oportunismo — quando Sun soube, no final do ano passado, que a empreitada cripto da família Trump, a World Liberty Financial (WLF), estava à beira do colapso, apesar de seu principal nomeado, listado como “defensor-chefe das criptomoedas”, ter acabado de ser eleito presidente dos Estados Unidos.

O motivo era óbvio. O chamado “white paper” da World Liberty Financial (o equivalente a um plano de negócios no mundo cripto) foi apelidado de “Gold Paper” e trazia na capa um retrato de Trump estilizado como um super-herói, pingando ouro. A ideia era criar mais uma plataforma de finanças descentralizadas — entre as centenas já existentes — mas sem oferecer participação acionária, sem uma gestão confiável e com tokens que seriam ilíquidos.

O fato de que os Trumps poderiam facilmente ter financiado os US$ 30 milhões (R$ 171,6 milhões) necessários para lançar o projeto, mas optaram por não fazê-lo, apenas reforçava o motivo pelo qual ninguém mais quis investir. Há mais de três décadas, o atual presidente dos Estados Unidos já havia direcionado seu império para utilizar o dinheiro de outras pessoas, em vez de arriscar o próprio.

Mas Sun, de 34 anos, não poderia ignorar a oportunidade que tinha diante de si. Desde março de 2023, ele enfrenta um processo da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) por alegações de manipulação fraudulenta do mercado e venda de valores mobiliários não registrados. Agora, ele tinha em mãos uma maneira de, sozinho, enriquecer a pessoa prestes a comandar o Executivo americano — e, por tabela, a própria SEC.

O salvador

No fim de novembro, apenas três semanas após a eleição de Trump, Sun desembolsou os US$ 30 milhões (R$ 171,6 milhões) supostamente necessários para cobrir as despesas operacionais da World Liberty Financial. “Vejo a WLF como um grande player no setor de tecnologia financeira”, diz Sun. Ele se expressa melhor quando descreve Trump como um verdadeiro cheat code (código de trapaça) para o mundo cripto: “e então seu desenvolvimento será muito melhor do que antes”.

Esse aporte inicial desencadeou uma onda de compras que beneficiou principalmente a família Trump. Como se as ações de Sun já não fossem generosas o suficiente, algumas semanas depois ele investiu mais US$ 45 milhões (R$ 257,4 milhões) na WLF, dos quais 75% foram diretamente para o bolso do presidente dos EUA. Isso porque havia uma cláusula estipulando que a família Trump ficaria com três quartos de tudo o que fosse arrecadado acima dos US$ 30 milhões iniciais. Depois, em janeiro, quando Trump lançou sua meme coin, a $TRUMP, Sun investiu mais alguns milhões.

No total, as ações de Sun lhe renderam um pequeno retorno no papel — e pior ainda, toda sua participação na WLF ficou bloqueada por tempo indeterminado — enquanto os Trumps embolsaram um lucro estimado de US$ 400 milhões (R$ 2,28 bilhões). Diante disso, o senador Chris Murphy, de Connecticut, comentou no plenário do Senado, no início de março: “isso é basicamente Trump postando seu Venmo [app americano de pagamentos instantâneos] para que qualquer um possa lhe transferir dinheiro secretamente, na quantia que quiser”.

Reviravolta

Os investimentos de Sun aparentemente valeram a pena. Quase imediatamente, ele foi nomeado como conselheiro da World Liberty. Então, no início de 2025, após a posse de Trump, a SEC arquivou praticamente todos os processos e investigações contra supostos infratores do setor cripto, incluindo as corretoras Coinbase, Kraken e Robinhood. Além disso, a agência anunciou uma “pausa” no processo contra Sun e suas empresas.

Assim é a vida do bilionário mais transacional do mundo cripto. Se você busca um discurso idealista sobre a promessa de Satoshi Nakamoto de um sistema financeiro descentralizado, livre do controle de bancos centrais e gigantes da tecnologia, Sun não é a pessoa certa.  Com habilidades limitadas em programação, praticamente todas as empresas que criou ou controla são cópias de modelos de negócios já estabelecidos.

Por enquanto, sua estratégia funciona. O Ethereum era a estrela do setor cripto por sua funcionalidade como blockchain? Sun criou uma versão mais rápida e barata: a Tron, que hoje tem um valor de mercado de US$ 22 bilhões (R$ 125,7 bilhões). Observando os sucessos  — e fracassos — da Binance e da FTX, comprou as corretoras Poloniex, com sede no Panamá, e HTX (antiga Huobi), focada no mercado asiático. E, ao ver o crescimento da Uniswap como protocolo de finanças descentralizadas (DeFi), lançou a SunSwap.

Mover-se rapidamente e copiar modelos bem-sucedidos tornou Sun extremamente rico em um curto espaço de tempo. Como seu ídolo de infância, Trump, ele parece obcecado pelo que a Forbes diz sobre sua fortuna e afirma que seu patrimônio líquido supera US$ 40 bilhões (R$ 228,8 bilhões), incluindo grandes participações em criptomoedas como bitcoin e ether, além de uma coleção de arte com obras de Picasso e Warhol, e um jato Airbus 330.

Afinal, quem é Justin Sun?

Assim como no caso de Trump, é difícil levar Sun ao pé da letra quando se trata de seus ativos. Ele possui uma rede complexa de carteiras e mantém parte de seu patrimônio em nome de terceiros. Aplicamos descontos significativos em várias de suas alegações — como no caso da corretora HTX, onde ele diz armazenar boa parte de suas criptomoedas pessoais — e deixamos de fora muitos de seus investimentos menores e não verificados.

Mesmo com essa dose de ceticismo, a Forbes estima o patrimônio de Sun em US$ 8,5 bilhões (R$ 48,6 bilhões), reconhecendo que o valor pode ser bem maior. Com a SEC lhe dando um respiro, esse número tende a disparar.

Nascido em 1990, na remota província de Qinghai, na fronteira com o Tibete, Sun se mudou com a família para a movimentada Guangdong quando tinha quatro anos. Cresceu cercado por palavras: sua mãe era jornalista esportiva do jornal diário de Huizhou, e seu pai cobria política em Qinghai. Sua primeira paixão foi a literatura, influenciado pelo escritor chinês Mo Yan, ganhador do Nobel, e pelo filósofo francês Michel Foucault, que explorava como o poder define e controla o conhecimento. Em 2007, Sun venceu um concurso nacional de redação, garantindo uma vaga na prestigiada Universidade de Pequim, onde inicialmente queria estudar literatura e se tornar um escritor renomado. Mas acabou mudando o foco para história global. “Por causa disso, vejo o mundo como um lugar unificado”, diz ele.

Estudante ambicioso, ele buscou os Estados Unidos como próximo passo. Em 2011, ingressou na Universidade da Pensilvânia, alma mater de Trump, uma espécie de “escola mãe”, para cursar um mestrado em economia política. Então, em 2012, um artigo do “New York Times” sobre o Bitcoin mudou tudo. “As pessoas me disseram que essa era a moeda do futuro e da internet”, lembra Sun. Ele baixou uma carteira de Bitcoin, recebeu algumas moedas de um amigo e ficou fascinado. Dias e noites foram consumidos em fóruns sobre Bitcoin, onde absorveu tudo o que pôde sobre a nova tecnologia.

Foi em um desses fóruns que conheceu Stefan Thomas, então CTO da Ripple Labs, que tentava construir uma alternativa descentralizada ao sistema bancário global SWIFT. A criptomoeda XRP da Ripple pretendia atuar como uma ponte entre moedas fiduciárias, exigindo uma rede de gateways em diferentes países. Em 2013, Thomas convidou Sun para se tornar o principal representante da Ripple na China.

Nada mal para alguém com pouco mais de 20 anos. Mas, desde o início, Sun incomodava. “Ele sempre dizia que tinha conexões com o Partido Comunista Chinês e o governo, mas, para ser honesto, acho que nenhuma dessas conexões foi útil”, lembra um ex-colega da Ripple, que pediu anonimato. “Imagine uma startup em estágio inicial, e aí chega Justin — sapatos Prada, camisa Gucci. Ele tem fome de dinheiro. Você podia ver que ele faria qualquer coisa para ficar rico.”

A controversa Tron

Pouco depois de Sun ingressar na Ripple, a Ethereum, uma blockchain que oferecia funções mais avançadas graças aos contratos inteligentes, virou a nova sensação. Sun investiu na Initial Coin Offering (oferta inicial de moedas ou ICO) da Ethereum em 2014, mas acabou concluindo que, mesmo processando transações muito mais rápido que o Bitcoin, ainda era lenta demais. Por outro lado, a Ripple não conseguia integrar contratos inteligentes. Foi aí que surgiu a ideia: criar uma nova blockchain com a velocidade da XRP e suporte a contratos inteligentes. “Precisávamos de algo mais barato e rápido, mas compatível com a Ethereum”, diz Sun, que deixou a Ripple em 2015 e lançou a Tron dois anos depois.

Desde o início, a nova blockchain de Sun foi alvo de acusações de plágio em seu white paper, que teria copiado a documentação da Ethereum e de outra blockchain. Juan Benet, fundador da Protocol Labs, equipe responsável pela blockchain de armazenamento de dados Filecoin, afirmou em um tweet de 2018 que o white paper da Tron havia copiado nove páginas inteiras do documento dele. Vitalik Buterin, cofundador da Ethereum, nascido na Rússia e naturalizado canadense, provocou Sun em 2018 ao responder a um tweet no qual ele listava diferenças entre a Ethereum e a Tron: “melhor capacidade de escrita de white paper: (Control+C + Control+V tem eficiência muito maior do que digitar um conteúdo novo no teclado).” Sem se abalar, Sun insistiu que a semelhança com a Ethereum era intencional. “Naquela época, a compatibilidade com a Ethereum era muito importante”, diz ele.

Ninguém foi mais fundamental para o sucesso inicial de Sun do que Changpeng “CZ” Zhao, o bilionário fundador da Binance, que Sun diz ter conhecido em 2015, quando ainda trabalhava na antecessora da Blockchain.com. Em agosto de 2017, a Binance conduziu o ICO de US$ 70 milhões (R$ 406 milhões) da Tron apenas alguns dias antes da China proibir esse tipo de oferta especulativa.

Em novembro de 2018, após o estouro da bolha dos ICOs, Zhao lançou o Gold Label Project da Binance para apoiar projetos de criptomoeda em dificuldades e “elevar o padrão de qualidade da informação” incentivando essas empresas a divulgar atualizações regulares sobre seu desenvolvimento. A Tron foi um dos primeiros projetos a receber esse selo. Além disso, como a Tron virou a opção padrão para os 10 milhões de usuários da Binance que queriam usar a stablecoin USDT, da Tether, para pagamentos em dólar, seu negócio cresceu rapidamente.

No fim de 2019, a Binance ajudou ainda mais Sun, oferecendo aos detentores de USDT na Tron uma taxa de rendimento anual de 16% sobre os saldos. Também começou a permitir saques e transferências internas sem taxas, o que deu à Tron uma grande vantagem sobre a Ethereum. Segundo pesquisa da Messari, entre outubro e dezembro de 2019, a oferta de USDT na Tron saltou de cerca de US$ 100 milhões (R$ 580 milhões) para quase US$ 1 bilhão (R$ 5,8 bilhões), representando cerca de 30% da oferta total da stablecoin na época.

“A” blockchain

CZ e a Binance acabaram tendo problemas. Em 2023, a Binance concordou em pagar mais de US$ 4 bilhões (R$ 23 bilhões) ao governo dos EUA em resposta a acusações de lavagem de dinheiro e outros crimes. Em meados de 2024, CZ cumpriu quatro meses de prisão, após se declarar culpado por falhas no cumprimento das regras contra lavagem de dinheiro. Mas o impulso que a Binance deu à Tron já havia surtido efeito: o USDT se tornou a criptomoeda mais negociada do mundo, e a Tron virou sua principal blockchain. Parte disso se deve à liquidez: pessoas e empresas em países emergentes precisam desesperadamente de dólares para facilitar comércio e pagamentos e usam o dólar digital da Tether como substituto. A Tron já tem 300 milhões de usuários no mundo e seu volume mensal de transações ultrapassa US$ 500 bilhões (R$ 2,9 trilhões), tornando-a indispensável para pagamentos peer-to-peer.

“Qualquer vez que me refiro a stablecoins, podem assumir que cerca de 70% é USDT na Tron”, diz Chris Maurice, nomeado pela Forbes no ranking Under 30 e, cofundador e CEO da Yellow Card, especializada em pagamentos e remessas em 20 países africanos. As baixas taxas também impulsionaram a Tron. Sun conquistou participação de mercado cobrando apenas US$ 0,30 (R$ 1,74) por transação, enquanto a Ethereum cobrava US$ 50 (R$ 290). “Estamos falando de alguns dos mercados mais sensíveis ao custo do mundo”, diz Maurice. “Em alguns desses países, as pessoas passam oito horas do dia para economizar alguns dólares, então US$ 50 versus alguns centavos faz uma diferença enorme”, conclui.

O USDT tem uma circulação de US$ 144 bilhões (R$ 835 bilhões), e a Tron responde por quase metade desse valor. Com esse domínio consolidado, as taxas da Tron aumentaram pelo menos dez vezes. Em 2024, sua receita com blockchain foi de US$ 2,2 bilhões (R$ 12,7 bilhões), ficando atrás apenas da Ethereum, que faturou US$ 2,5 bilhões (R$ 14,5 bilhões).

Relação conveniente

Nos Estados Unidos, no entanto, o ceticismo persiste. A Circle, emissora de stablecoins, deixou de fazer negócios com a blockchain de Sun. Além disso, em dezembro de 2024, a Coinbase removeu de sua plataforma uma versão do Bitcoin chamada “wrapped bitcoin” (wBTC), que roda na blockchain da Ethereum e, segundo rumores, é controlada por Sun. Em um processo judicial, a Coinbase declarou: “a afiliação de Sun — e seu possível controle sobre o wBTC — representa um risco inaceitável para seus clientes e para a integridade da exchange.” o empresário não quis comentar.

As acusações da SEC, embora suspensas, são graves. Sun e as fundações Tron e BitTorrent, que ele supostamente controla, não só foram acusados de vender valores mobiliários não registrados, mas também de inflar artificialmente o preço do token TRX por meio de “wash trading” em 2018 e 2019. Ele teria ordenado que funcionários criassem várias contas para simular grande demanda. Além disso, a SEC alega que Sun pagou celebridades como Lindsay Lohan e Jake Paul para promover seus tokens sem divulgar os pagamentos. Ele também não comentou sobre este processo.

Tudo isso torna o momento da parceria com Trump ainda mais conveniente. Embora Sun diga que nunca encontrou o presidente, ele passou recentemente um tempo com os filhos Eric e Donald Jr., que são parceiros da WLF com o filho do amigo de Trump e enviado ao Oriente Médio, Steve Witkoff.

Totalmente ciente de que o setor de criptomoedas exige confiança pública, Sun se apegou à ideia de que o presidente dos Estados Unidos, ao entrar nesse mercado, pode aumentar sua credibilidade entre os investidores de varejo. “$TRUMP realmente quebra as barreiras entre o Web3 e o mundo tradicional,” diz Sun. “Até minha mãe me perguntou sobre o token”, afirma. “Acho que Trump foi eleito e começou a impulsionar muitos negócios de criptomoeda, [o que] na verdade beneficia muito mais a indústria inteira neste superciclo,” ele acrescenta.

De fato, na terça-feira (25), a World Liberty anunciou o lançamento de sua própria stablecoin, USD1, um dólar digital respaldado por títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo, reservas em caixa e outros equivalentes de caixa. O conflito de interesse é difícil de ignorar, já que um projeto de lei sobre stablecoins do Congresso pode em breve parar em sua mesa.

Sun cita a reação global ao $TRUMP após seu lançamento, afirmando que sua exchange, HTX, registrou 1 milhão de novos usuários, dentro de uma semana após a oferta do token de Trump, muitos dos quais vieram da China, onde a criptomoeda é tecnicamente proibida. A parte ainda mais reveladora, de acordo com Sun, foi que as autoridades chinesas permitiram que o meme coin se tornasse tendência nas redes sociais por dias. “O governo chinês não quer ser visto banindo Trump,” diz ele. “Acho que eles têm medo de alguém dizer a Trump que o governo chinês está banindo seu coin”, declara o empresário.

Sun pode não ter conhecido Trump, mas ele incorporou as lições do maior marqueteiro da América. Enquanto muitos líderes do setor de criptomoeda desejam anonimato, Sun abraçou o oposto, gastando milhões em truques para chamar a atenção do público com “teatralidades”;

Em 2019, ele pagou US$ 4,6 milhões (R$ 26,5 milhões) para almoçar com Warren Buffett como parte do leilão anual de caridade do bilionário. Isso atraiu atenção. Depois, Sun complicou ainda mais ao cancelar três dias antes do encontro planejado. Ele acabou almoçando com Buffett em Omaha, Nebraska, um ano depois. O empresário de blockchain seguiu o mesmo roteiro em 2021, oferecendo US$ 28 milhões (R$ 161,4 milhões) para ser o primeiro passageiro pagante na espaçonave Blue Origin de Jeff Bezos. No dia do lançamento, Sun atraiu ainda mais atenção ao perder o lançamento por “conflitos de agenda”.

Em novembro, enquanto finalizava seu investimento em Trump, ele gastou US$ 6,2 milhões (R$ 35,7 milhões) na Sotheby’s por uma obra de arte conceitual: The Comedian, uma banana colada à parede com fita adesiva pelo artista italiano Maurizio Cattelan. Dez dias depois, ele comeu a banana no palco diante de um grupo de repórteres em Hong Kong.

O empresário refere-se a si mesmo com o título de “sua excelência,” devido à sua recente nomeação como embaixador da Organização Mundial do Comércio (OMC) da pequena ilha caribenha de Granada. Ele também ocupa o cargo de primeiro-ministro da República Livre de Liberland, uma “micronação” que reivindica a posse de território ao longo do rio Danúbio, na Croácia. Então, qual é a cidadania de sua excelência, um nativo chinês — que além desses cargos duvidosos, parece passar a maior parte de seu tempo em Hong Kong e lista sua localização como Suíça em seu perfil no X — o que ele considera como sua cidadania? “Acho que podemos colocar São Cristóvão, provavelmente,” diz ele. “A maioria das pessoas provavelmente acha que faço essas coisas porque quero chamar a atenção de todos,” reflete Sun. “Mas, na verdade, quando faço coisas em cripto que se tornam realidade, é quando mais atenção eu consigo.”

De fato, tais teatralidades desviam a atenção do que parece ser um foco muito astuto no crescimento. Sua exchange DeFi, SunSwap, um clone da blockchain Tron, viu seu volume de negociações explodir em 2024, com a estratégia de baixa taxa inicial — a mesma que ele usou para o USDT –, acumulando mais de US$ 4 bilhões (R$ 23 bilhões) em negociações do token “wrapped” no final do ano. Da mesma forma, o SunPump, a versão de Sun da fábrica de meme coins baseada no Solana, está produzindo tokens de tendência rapidamente. No entanto, em agosto do ano passado, os 97 mil tokens criados por ele desde o início da SunPump renderam apenas US$ 37 milhões (R$ 212,8 milhões), contra US$ 600 milhões (R$ 3,4 bilhões) da Solana.

 

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