Taxa de desemprego sobe para 6,8%: “perda de ritmo tende a ser gradual” diz economista

desemprego no Brasil

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2025, uma alta de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (6,1%). Apesar da elevação recente, o indicador recuou na comparação anual — em fevereiro de 2024, a taxa estava em 7,8%.

Segundo os dados da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE, o número de brasileiros desocupados chegou a 7,5 milhões, com crescimento de 10,4% no trimestre. Em contrapartida, houve queda de 12,5% em relação ao ano anterior, o que representa menos 1,1 milhão de pessoas em busca de trabalho.

Pnad: desemprego tem queda na comparaçõa anual

Por outro lado, o número de pessoas ocupadas caiu 1,2% no trimestre, totalizando 102,7 milhões de trabalhadores — uma perda de 1,2 milhão de vagas. Ainda assim, houve crescimento anual de 2,4%, o que indica a geração de 2,4 milhões de postos de trabalho em 12 meses.

O nível de ocupação (percentual de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar) ficou em 58,0%, com recuo de 0,8 p.p. no trimestre e avanço de 0,9 p.p. no ano.

Desemprego: Setor privado tem recorde de carteira assinada

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (excluindo domésticos) atingiu o recorde histórico da série iniciada em 2012, somando 39,6 milhões de pessoas. Isso representa um crescimento de 1,1% no trimestre e 4,1% no ano.

Já os trabalhadores sem carteira caíram 6% no trimestre, mantendo estabilidade em relação ao ano anterior.

Informalidade e desalento

A taxa de informalidade no Brasil foi estimada em 38,1% da população ocupada, o equivalente a 39,1 milhões de trabalhadores informais, o que representa uma leve queda frente aos 38,7% registrados nos trimestres anterior e do ano passado.

O número de pessoas fora da força de trabalho chegou a 66,9 milhões, com aumento de 1,4% no trimestre. Entre esses, 3,2 milhões são considerados desalentados — aqueles que desistiram de procurar trabalho —, grupo que cresceu 6,9% no trimestre.

Rendimento em alta e recorde na massa de renda

Apesar da deterioração em parte dos indicadores de mercado de trabalho, o rendimento médio real subiu para R$ 3.378, maior valor da série histórica. O aumento foi de 1,3% no trimestre e 3,6% no ano.

Com isso, a massa de rendimento real habitual atingiu outro recorde: R$ 342 bilhões, com estabilidade no trimestre e alta de 6,2% em relação ao ano anterior.

Perspectiva por setores e posições

Entre os setores que mais perderam vagas no trimestre estão:

  • Construção: -4,0% (-310 mil vagas)
  • Administração pública, saúde e educação: -2,5% (-468 mil)
  • Serviços domésticos: -4,8% (-290 mil)

Na comparação anual, os destaques positivos ficaram com:

  • Comércio: +3,6% (+690 mil)
  • Indústria: +3,2% (+409 mil)
  • Administração pública e serviços sociais: +4,1% (+717 mil)

Já o rendimento médio por posição na ocupação teve alta nas seguintes categorias:

  • Conta própria: +3,6% (R$ 97)
  • Setor público: +3,5% (R$ 174)
  • Trabalhador doméstico: +2,3% (R$ 29)

Desemprego além dos números

Segundo o economista Maykon Douglas, os dados divulgados pelo IBGE indicam mais um resultado positivo para o mercado de trabalho, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade. Ele destaca que, mesmo com a taxa de desemprego subindo para 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, o movimento era esperado e, com ajuste sazonal, a taxa permaneceu estável em 6,5%. A criação líquida de empregos foi puxada pelo avanço do emprego formal, enquanto a ocupação informal se manteve estável.

“O resultado de hoje mostra que a perda de ritmo de atividade tende a ser gradual e, talvez, um pouco errática, o que justifica a necessidade de o Banco Central aguardar mais dados.” destaca o economista.

Além disso, a massa de rendimentos efetivos apresentou alta de 0,8% — reflexo da elevação tanto na ocupação quanto no rendimento médio. Para Maykon, o cenário reforça a percepção de um mercado de trabalho ainda apertado, com pressões salariais que mostram certa persistência, apesar de algumas oscilações recentes. Diante disso, ele avalia que o Banco Central deve manter cautela e observar mais dados antes de realizar novos ajustes na política monetária.

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