Val Kilmer, Ator de “Top Gun” e Batman, Morre Aos 65 Anos

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Val Kilmer, que protagonizou Jim Morrison e Batman e se consagrou como ator coadjuvante de alto nível, morreu na terça-feira (1) em Los Angeles. Ele tinha 65 anos. A causa da morte foi pneumonia, disse sua filha, Mercedes Kilmer. Ele havia sido diagnosticado com câncer de garganta em 2014 e depois se recuperou, ela disse.

Alto e bonito como um astro do rock, Kilmer viveu alguns roqueiros no início da carreira, quando parecia destinado ao sucesso de bilheteria. Ele fez sua estreia no cinema em 1984 em “Top Secret!”, uma paródia de um filme de espionagem da Guerra Fria no qual estrelou como um cantor americano em Berlim que se envolve involuntariamente em uma conspiração da Alemanha Oriental para reunificar o país.

Ele fez uma performance vividamente estilizada como Morrison, o emblema da sensualidade psicodélica, em “The Doors” (1991) de Oliver Stone. Ao lado de Michael Keaton e George Clooney, ele foi Batman em “Batman Forever” (1995), lutando em Gotham City com um Duas-Caras vivido por Tommy Lee Jones e um Charada protagonizado por Jim Carrey. Nem Kilmer nem o filme são considerados os melhores exemplos da franquia do homem morcego.

“Top Gun”

Nessa altura, porém, sua carreira tinha tomado outro rumo. Em 1986, o diretor Tony Scott o escalou para seu primeiro filme de grande orçamento, “Top Gun – Ases Indomáveis”, sobre pilotos de caça da Marinha. Kilmer interpretou Tom “Iceman” Kazansky, o rival arrogante da estrela Tom Cruise. Foi um papel que estabeleceu um precedente para várias atuações como coadjuvante. Ele reprisou o personagem em uma breve participação especial em “Top Gun: Maverick”, na sequência de 2022 do filme. Na época, sua voz havia sido prejudicada por uma traqueotomia realizada para o tratamento do câncer oito anos antes, e teve de ser recriada por meio do uso de inteligência artificial.

Ele foi coadjuvante com Michael Douglas, em “A sombra e a escuridão ” (1996), sobre caça ao leão na África do final do século XIX. Em “Pollock” (2000), estrelado por Ed Harris como o pintor Jackson Pollock, ele era um colega artista, Willem de Kooning. Ele interpretou Filipe da Macedônia, o pai de Alexandre, o Grande (Colin Farrell), no grandioso épico de Oliver Stone “Alexandre” (2004).

Ao longo de sua carreira,  Kilmer frequentemente deixou uma impressão, tanto para os espectadores quanto para os cineastas, de imprevisibilidade. “A maioria dos atores reconhece que há algo diferente nele”, disse Stone em uma entrevista de 2007. David Mamet, que dirigiu Kilmer no thriller político “Spartan” (2004), acrescentou: “Val tem algo que os atores realmente, realmente grandes têm: é capaz de fazer tudo soar como uma improvisação”.

Na tela, ele era carismático e curioso e não deixava seus personagens darem pistas emocionais facilmente. Fora da tela, ele teve sua cota de desentendimentos, especialmente no início da carreira, quando ganhou uma reputação de mau humor e egocentrismo. Um artigo de capa de 1996 sobre ele na Entertainment Weekly foi intitulado “O homem que Hollywood ama odiar”.

“Ele ofendia as pessoas por ser difícil de entender”, disse o Stone. Robert Downey Jr., atuou a seu lado em “Kiss Kiss Bang Bang” (2005), reconheceu em uma entrevista que não o suportava quando se conheceram, embora tenham se tornado grandes amigos. “Não é novidade que ele pode ser cronicamente excêntrico”, disse  Downey.

Biografia

Val Edward Kilmer nasceu em Los Angeles em 31 de dezembro de 1959 e cresceu no bairro de Chatsworth, no extremo noroeste da cidade, onde seus vizinhos eram Roy Rogers e Dale Evans e seus colegas de escola eram Kevin Spacey e Mare Winningham. Seu pai, Eugene, um incorporador imobiliário, e sua mãe, Gladys Ekstadt, se divorciaram quando Val tinha 9 anos. Seu irmão mais novo, Wesley, se afogou em uma piscina em 1977, um evento que assombrou Kilmer por anos depois.

Suas memórias dessa perda estavam no centro de sua performance em “The Salton Sea” (2002), sobre um homem movido pela culpa e buscando redenção após testemunhar o assassinato de sua esposa e ser incapaz de salvá-la. “Há vários pontos no filme em que o cara simplesmente não consegue continuar”, disse Kilmer em uma entrevista ao The New York Times em 2002. “Eu só voltei à realidade depois de três anos que meu irmão morreu.”

Ele se candidatou à Juilliard School em Nova York e foi um dos mais jovens admitidos, tendo apenas 17 anos. Na Juilliard, ele e vários colegas escreveram e apresentaram “How It All Began”, adaptado da autobiografia do guerrilheiro urbano da Alemanha Ocidental Michael Baumann. Em 1981, depois que Kilmer se formou, ele apareceu em uma produção profissional da peça no Public Theater.

Ele estreou na Broadway em 1983 em “The Slab Boys”, um drama de John Byrne sobre jovens trabalhadores em uma fábrica escocesa de tapetes que também contou com Sean Penn e Kevin Bacon. Mais tarde, interpretou Hamlet no Colorado Shakespeare Festival em Boulder em 1988 e foi o protagonista masculino, Giovanni, ao lado de Jeanne Tripplehorn em uma produção do Public Theater da tragédia “’Tis Pity She’s a Whore”, dirigida por JoAnne Akalaitis, em 1992.

Família

Seu casamento com a atriz Joanne Whalley, que ele conheceu no set do filme de fantasia infantil de Ron Howard “Willow” (1988), terminou em divórcio. Ele deixa dois filhos, Mercedes e Jack. Kilmer viveu em um rancho perto de Santa Fé por muitos anos e certa vez pensou em concorrer ao governo do Novo México.

Outros papéis incluem “A Ilha do Dr. Moreau” (1996), um filme de terror baseado em um romance antigo de H.G. Wells; “Wonderland” (2003), baseado em uma história real de um assassinado que envolveu o astro da pornografia John Holmes; e “Twixt” (2011), dirigido por Francis Ford Coppola, sobre um escritor de terror cuja turnê de divulgação do livro o leva a uma cidade assombrada por um assassinato de crianças anos atrás.

Assim como seu colega ator Hal Holbrook, Kilmer tinha um fascínio de longa data por Mark Twain, e passou muitos anos pesquisando e escrevendo um monólogo, “Citizen Twain”, que começou a apresentar pelo país em 2010. Ele tinha problemas para controlar seu peso e disse que seu interesse em Twain lhe permitiu emagrecer.

Ele também apareceu como Twain em uma adaptação cinematográfica de 2014 da obra de Twain, “Tom Sawyer e Huckleberry Finn”, e planejou dirigir e estrelar um filme que escreveu sobre Twain e Mary Baker Eddy, a mulher que fundou a Ciência Cristã, a quem Twain criticou repetidamente. Kilmer era um Cientista Cristão.

Em 2021 ele foi o tema de “Val”, um documentário sobre ele baseado em décadas de imagens de arquivo. Seus filhos eram produtores associados, com Jack Kilmer como narrador. O filme ganhou vários prêmios, incluindo o Critics Choice Award de melhor documentário histórico ou biográfico.

Em uma entrevista com o The Hollywood Reporter em 2012, Kilmer falou sobre sua ausência de Hollywood por uma década ou mais e reconheceu que sua carreira tinha sido incomum. Ele tinha outros interesses e disse que queria ficar com os filhos. “Não tenho arrependimentos”, afirmou Kilmer. “Dizem em Hollywood que uma vez que você é uma estrela, você é sempre uma estrela; o que muda é sua grandeza.”

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