Startup Fourier aposta em eletrólise inspirada em Data Centers para baratear produção de hidrogênio

A startup Fourier, com sede nos EUA, está apostando em uma abordagem arrojada e altamente tecnológica para um dos maiores desafios energéticos da atualidade: produzir hidrogênio de forma limpa, acessível e em escala comercial.

Inspirada na arquitetura de servidores e Data Centers, a empresa criou um sistema modular de eletrólise que cabe no espaço equivalente a dois racks de servidor, oferecendo uma solução compacta e eficiente para a produção local de hidrogênio.

O projeto chamou atenção de investidores de peso, como General Catalyst e Paramark Ventures, que lideraram uma rodada Série A de US$ 18,5 milhões. Também participaram Airbus Ventures, Borusan Ventures, GSBackers, MCJ Collective e Positive Ventures.

Uma nova visão para uma velha equação

Apesar de ser o elemento mais abundante no universo, o hidrogênio ainda enfrenta obstáculos técnicos e econômicos em sua produção e distribuição.

De acordo com o CEO e cofundador da Fourier, Siva Yellamraju, dois problemas persistem: eficiência na geração e logística de entrega.

A proposta da startup é transformar ambos em problemas de software, aplicando conceitos semelhantes aos usados em baterias de íon-lítio e servidores em nuvem.

Divulgação/Fourier

Coração do sistema: lâminas controladas por software

Dentro de cada módulo da Fourier estão cerca de 20 pequenos eletrólitos, apelidados de blades (lâminas). Tais elementos compartilham uma bomba d’água central e recebem energia de fontes modificadas, originalmente desenvolvidas para servidores de data center.

As fontes são reprogramadas para operar a eletrólise de forma eficiente, aproveitando sua disponibilidade em larga escala e custo reduzido. O controle fino da operação de cada blade é feito por um software inteligente, que monitora a saúde, desempenho e degradação de cada unidade, ajustando a produção em tempo real.

A ideia é semelhante aos sistemas de gerenciamento de bateria (BMS) usados por empresas como Tesla, que transformam conjuntos de pequenas células em grandes baterias otimizadas por dados.

Transformamos a eficiência da produção de hidrogênio em um problema de otimização digital, usando sensores e algoritmos como aliados do desempenho

Siva Yellamraju, CEO da Fourier.

Divulgação/Fourier

Testes de laboratório e primeiros pilotos comerciais

A Fourier já conduziu dois testes de bancada com capacidade de produzir cerca de 1 kg de hidrogênio por hora, em parceria com uma empresa farmacêutica e uma fornecedora de energia solar. Agora, a empresa se prepara para dois pilotos em escala industrial, previstos para operar até junho de 2025.

Os locais dos testes incluem uma planta petroquímica em Ohio e uma fábrica de componentes aeronáuticos em Fremont, Califórnia. A meta é atender empresas que precisam de 6 a 20 kg por hora de hidrogênio, o que equivale a sistemas de eletrólise com potência entre 300 kW e 1 MW.

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Economia direta e atratividade comercial

Segundo Yellamraju, os potenciais clientes industriais da Fourier, como fabricantes de cerâmica, farmacêuticos e petroquímicos, hoje pagam em média US$ 13 a US$ 14 por quilo de hidrogênio. Com a solução da startup, esse custo pode cair para US$ 6 a US$ 7, sem considerar subsídios governamentais.

Mesmo com margem de lucro embutida, o CEO garante que os clientes ainda economizariam até 50% nos custos atuais. A redução significativa coloca a Fourier em uma posição estratégica para acelerar a adoção do hidrogênio verde no setor industrial.

Fonte: Fourier

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