Pré-mercado: Bolsas no Mundo Desabam com Tarifas Americanas

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Bom dia. Estamos na quinta-feira, 3 de abril.

Cenários

Em um discurso longo e bastante eleitoreiro, o presidente americano, Donald Trump, anunciou o “Dia da Libertação” na quarta-feira (2), afirmando que seria o início de uma nova era para a economia americana.

Resumindo a história: os Estados Unidos vão impor uma taxa mínima de 10% a todos os parceiros comerciais (Brasil incluído). E também tarifas “recíprocas” de dois dígitos a 60 outros parceiros comerciais que, segundo Trump, vêm tratando os Estados Unidos de forma “injusta” em termos comerciais.

Os principais alvos são países asiáticos. As tarifas recíprocas para a China serão de 34% (além dos 20% já anunciados anteriormente), o que eleva as tarifas para os produtos chineses em pesados 54%.

Produtos da União Europeia serão taxados em 20%. Como o Reino Unido desvinculou-se do grupo em 2016, sua alíquota ficou no piso de 10%. Para o Japão, Coreia do Sul e Índia, as sobretaxas serão de 24%, 25% e 26%, respectivamente. Importações da Suíça terão uma tarifa de 31%, enquanto os produtos da Venezuela serão taxados em 15%.

O Brasil ficou no grupo de países sujeitos à tarifa mínima de 10%, junto com Argentina, Chile, Colômbia, Panamá, Paraguai e Uruguai, considerando-se os latino-americanos. O México está na alíquota de 25%, assim como o Canadá. As tarifas estarão em vigor até 9 de abril. No caso brasileiros, as exceções são produtos como ferro e aço, que passarão a ter uma tarifa de 25%. Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, calcula que o impacto direto sobre a balança comercial brasileira ficará entre US$ 1 bilhão e US$1,5 bilhão.

Qual a repercussão de tudo isso? Há vários pontos a considerar. Trump é um negociador imprevisível. Não dá para descartar a hipótese de que a alta das tarifas venha a ser usada como instrumento de barganha em negociações futuras. Então pode ser que o cenário mude no curto ou no médio prazo.

Mesmo assim, supondo-se que as tarifas “recíprocas” tenham vindo para ficar, o impacto será profundo na economia mundial. O principal (ou um dos principais) parceiro comercial do mundo subitamente anunciou que vai comprar menos. Isso deverá causar uma escassez de produtos (e alta da inflação) nos Estados Unidos e uma sobra de produtos (ou aumento da concorrência) nos demais países, em especial os asiáticos.

Isso quer dizer um aumento da pressão exportadora chinesa sobre os demais países, Brasil em especial. Assim, o impacto no curto e no médio prazo poderá ser uma forte pressão concorrencial sobre diversos setores da indústria nacional, que terão de enfrentar uma inundação de produtos chineses subsidiados, destinados a conquistar mercado com a força do poder econômico.

Com relação ao mercado financeiro, os analistas são unânimes em esperar uma alta na inflação americana no curto prazo. A dúvida agora é saber como o Federal Reserve (FED), o banco central americano, vai reagir. Em discurso recente, Jerome Powell, presidente do FED, disse acreditar que o choque seria transitório. Teoricamente, isso não quer dizer uma mudança na política monetária. Porém, as mudanças nas tarifas foram muito maiores do que o esperado, o que está fazendo todos os investidores e analistas refazer suas contas.

Perspectivas

A quinta-feira foi marcada por uma forte queda nos mercados asiáticos e os índices americanos estão recuando bastante no pré-mercado. A cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil estão recuando cerca de 1% no pré-mercado, indicando um dia de baixa para as ações brasileiras.

Indicadores

  • Brasil

PMI Composto (Mar)
Esperado: ND
Anterior: 51,2

  • Estados Unidos

Pedidos iniciais de seguro-desemprego
Esperado: 225 mil
Anterior: 224 mil

PMI do setor de serviços (Mar)
Esperado: 54,3
Anterior: 51,0

PMI ISM não-manufatura (Mar)
Esperado: 53,0
Anterior: 53,5

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