Dólar cai 1% mesmo com ‘tarifaço’ de Trump e atinge menor valor desde outubro de 2024: o que enfraquece a moeda?

O dólar à vista (USDBRL) contraria as expectativas com o anúncio do ‘tarifaço’ impostos pelos Estados Unidos e opera em forte queda nesta quinta-feira (3).

Por volta de 14h45 (horário de Brasília), a moeda norte-americana operava a R$ 5,6094, com queda de 1,53%. Na mínima do dia, a divisa chegou a ser cotada a R$ 5,5934, no menor valor desde outubro de 2024.

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O movimento de queda não é apenas ante o real. No mesmo horário, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, caía 1,69%, aos 102.113pontos. Durante a sessão, o índice caiu 2,45%.

Os motivos para a queda do dólar

O dólar, assim como os ativos globais, reage ao  plano tarifário dos Estados Unidos, anunciado pelo presidente Donald Trump no início da noite da última quarta-feira (2). 

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A imposição das tarifas podem gerar um movimento em cadeia: as taxas podem encarecer os produtos que chegam nos EUA; os preços sobem, acelera a inflação que, depois, pode resultar em uma queda de atividade econômica e, consequentemente, da lucratividade das empresas.

Os EUA já está em um cenário de desaceleração econômica e a preocupação agora é de uma stagflation – momento em que a redução ou estagnação de crescimento econômico está atrelado a aumentos de preços, ou a uma inflação acima da esperada pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano. No início da semana, o Goldman Sachs elevou a probabilidade de uma recessão econômica no país para 35% nos próximos 12 meses.

Por isso, o ‘tarifaço’, pior do que o esperado pelo mercado, elevou os temores de uma recessão econômica nos Estados Unidos. “A reação do mercado aponta que a visão é de que as tarifas colocarão a economia americana em direção à recessão”, afirmou o o economista sênior do Inter, André Valério.

Os agentes financeiros também já começaram a precificar mais  cortes nas taxas de juros norte-americanas, acima da projeção do Fed. Hoje, os juros estão na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. “Os investidores (já estão) passando a precificar até três cortes na taxa básica de juros dos Estados Unidos ainda neste ano”, afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Reaserach.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a aposta de um corte acumulado de 1 ponto percentual pelo Fed em 2025 se tornou majoritária no mercado, com a probabilidade de 31,7%.

Com o aumento da aversão ao risco, os investidores globais começaram a se desfazer de ativos mais arriscados, em busca de posições seguras — o que também tem derrubando as ações globais e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, e, por outro lado, tem fortalecido os pares, como o iene e o euro.

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