Wall Street despenca após ‘tarifaço’ de Trump elevar risco de recessão; Nasdaq tem maior perda diária em 5 anos

O plano tarifário de Trump derrubou os mercados e Wall Street encerrou a sessão desta quinta-feira (3) renovando mínimas anuais.

Confira o fechamento dos índices de Nova York: 

  • Dow Jones: -3,98%, aos 40.545,93 pontos;
  • S&P 500: -4,84%, aos 5.396,52 pontos;
  • Nasdaq: -5,97%, aos 16.550,60 pontos.

O índice Nasdaq, que reúne as maiores empresas do setor de tecnologia, registrou a maior perda diária desde março de 2020. S&P 500 teve a pior sessão desde junho de 2020 e Dow Jones registrou o maior declínio desde setembro de 2022.

Durante a sessão, o VIX (CBOE Volatility Index), indicador que mede a aversão ao risco de Wall Street, também conhecido como o “termômetro do medo”, disparou mais de 30%, na casa dos 28 pontos — no maior nível desde 18 de dezembro de 2024.

Apesar da forte queda, o presidente Donald Trump afirmou que o mercado “está indo muito bem”, a jornalistas na Casa Branca. “O mercado vai ter um boom de crescimento.”

O que movimentou Wall Street hoje?

As bolsas de Nova York registraram a pior sessão de 2025 em reação ao plano tarifário do presidente Donald Trump.

Ontem (2), Trump estabeleceu uma alíquota-base de 10% para todos os países que são parceiros comerciais, que entra em vigor em 5 de abril. Já as tarifas recíprocas serão aplicadas a partir de 9 de abril. Hoje (3), as taxas de 25% sobre a importação de automóveis já entraram em vigor.

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“Tal reação deriva dos receios em relação a possível retaliação dos demais países, bem como elevação do risco de um cenário de maior desaceleração da economia americana, que poderia levar os EUA a uma recessão”, afirmou William Castro, estrategista-chefe da Avenue.

“No curto prazo, vemos como mais provável o cenário de estagflação, ou seja, devemos ver uma desaceleração no crescimento econômico com um impacto negativo nos preços (elevação de preços)”, acrescentou Castro, da Avenue.

O medo de desaceleração da economia norte-americana, acompanhada de uma stagflation – cenário em que a redução ou estagnação de crescimento econômico está atrelado a aumentos de preços ou a uma inflação acima da esperada pelo Federal Reserve (Fed) – aumentou nas últimas semanas, com dados de atividade mais fracos do que o esperado e as incertezas sobre a imposição de tarifas de importação a vários países.

Nesta semana, o Goldman Sachs elevou a probabilidade de recessão dos EUA em 12 meses de 20% para 35%.

O mercado também reagiu a novos dados do mercado de trabalho, ainda que em segundo plano. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 6.000, para 219.000 em dado com ajuste sazonal, na semana encerrada em 29 de março, segundo dados do Departamento do Trabalho do país. Os economistas consultados pela Reuters previam 225.000 pedidos no período.

Os investidores ainda ficaram na expectativa pelo relatório oficial de empregos, o payroll, de março — que deve ser divulgado amanhã (4).

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