Depois de superar os 132 mil pontos, Ibovespa fecha o pregão próximo da estabilidade; dólar cai a R$ 5,62 com ‘tarifaço’ de Trump

O Ibovespa (IBOV) tentou ‘driblar’ a forte cautela internacional após o tarifaço de Trump e chegou a superar os 132 mil pontos durante a sessão. Mas, em meio a queda dos ‘pesos-pesados’, o índice encerrou a sessão próximo da estabilidade.

Nesta quinta-feira (3), o principal índice da bolsa brasileira fechou aos 131.140,65 pontos, com leve queda de 0,04%.

Já o dólar à vista (USBRL) encerrou as negociações a R$ 5,6281, com recuo de 1,20% sobre o real — no menor nível em seis meses. 

No cenário doméstico, os investidores acompanharam as movimentações em Brasília em torno da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados, será o relator da proposta.

Também em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo tomará “medidas cabíveis” para defender a economia doméstica em relação à tarifa de 10% sobre os produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos.

Ontem (2), a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei (PL) que estabelece critérios para a reação do Brasil a barreiras e imposições comerciais de nações ou blocos econômicos contra produtos nacionais.

Contudo, os impactos das tarifas de importação dos EUA concentraram as atenções. Na avaliação dos analistas, a alíquota de 10% sobre os produtos brasileiros ficou abaixo do esperado pelo mercado.

Altas e quedas no Ibovespa 

As petroleiras lideraram a ponta negativa do Ibovespa. Brava Energia (BRAV3) registrou a maior perda do setor e do principal índice da bolsa brasileira com recuo de mais de 7%. Prio (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Petrobras (PETR3;PETR4) também figuraram entre as maiores quedas.

A derrocada dos papéis das petroleiras está ligada ao desempenho do petróleo no mercado internacional. O contrato mais líquido do Brent, referência mundial, para junho despenca mais de 6% nesta quinta-feira (3), em ação à decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) em aumentar a produção a partir de maio e ao plano tarifário dos Estados Unidos.

Já a ponta positiva foi dominada pelas companhias cíclicas, principalmente, do setor de varejo, com o alívio na curva de juros.

Os papéis considerados ‘defensivos’, como as elétricas, também se destacaram entre as maiores altas do pregão.

Exterior 

Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq, que reúne as maiores empresas do setor de tecnologia, registrou a maior perda diária desde março de 2020. S&P 500 teve a pior sessão desde junho de 2020 e Dow Jones registrou o maior declínio desde setembro de 2022.

As bolsas de Nova York registraram a pior sessão de 2025 em reação ao plano tarifário do presidente Donald Trump. Ontem (2), ele estabeleceu uma alíquota-base de 10% para todos os países que são parceiros comerciais, que entra em vigor em 5 de abril. Já as tarifas recíprocas serão aplicadas a partir de 9 de abril. Hoje (3), as taxas de 25% sobre a importação de automóveis já entraram em vigor.

Na avaliação do mercado, a medida deve elevar a inflação no curto prazo — e resultar em uma recessão econômica.

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