Caso ‘Anão da Solidão’: investigação da morte é encerrada sem nenhum policial indiciado em SC

Foi encaminhado, ao Ministério Público de Santa Catarina, nesta sexta-feira (4), o inquérito policial sobre a morte de Ernesto Schmitz Neto, conhecido “Anão da Solidão”. Ele foi morto em um confronto com a Polícia Militar na Praia da Solidão, em janeiro. Segundo a corporação, ele tentou esfaquear um agente antes de ser baleado.

Ernesto Schmitz Neto, conhecido como Anão da Solidão

‘Betinho’ já tinha passagens pela polícia por desacato, ameaça e por dirigir alcoolizado – Foto: Divulgação/ND

Segundo o delegado responsável pelo caso, Ênio Oliveira Mattos, o relatório foi concluído ainda em março. No entendimento dele, o agente responsável pelos disparos que mataram a vítima agiu em legítima defesa. Betinho, como era conhecido, foi atingido quatro vezes; duas na parte lateral do corpo e duas na frente.

“Não tinha alternativa”, diz delegado

À reportagem do ND Mais, o investigador informou que dois agentes entraram na casa em que Betinho estava, depois que ele ameaçou a inquilina que residia no endereço. O “Anão da Solidão” estaria alterado e teria ameaçado a mulher com uma faca.

A Polícia Militar foi acionada e, ao chegar no endereço, Betinho se trancou dentro da casa. Após conseguir arrombar a porta, os agentes subiram a escada que dava até o local em que ele estava e foram ameaçados. O militar que estava à frente, antes de chegar ao nível, deparou-se com Betinho portando uma faca e disparou contra ele.

Ernesto era filho único e sofria com recorrentes surtos psicológicos – Foto: Divulgação/ND

“Não tinha outra alternativa, ou era ele, ou a polícia. O policial agiu em legítima defesa e no cumprimento do dever”, afirmou Ênio Mattos, reforçando que o agente agiu corretamente. Ao ser questionado sobre o número de disparos contra uma pessoa de baixa estatura, o delegado afirmou que o risco seria o mesmo se ele tivesse dois metros de altura, ao invés de 1,24 metro.

Família contesta versão da PMSC

A família de Betinho, que era filho único, ficou inconformada com a conclusão da investigação, que não indiciou o militar responsável pelos disparos. Eles alegam que houve uso excessivo da força e que o agente que baleou o “Anão da Solidão” poderia ter agido de forma diferente, uma vez que ele já conhecia a vítima.

“Eles não concordam com o que aconteceu e ainda estão muito abalados com isso tudo. Eles afirmam que nunca viram o Betinho ameaçar com faca, como foi alegado pelos policiais”, disse o advogado Leonardo Vidal Guerreiro Ramos, que representa a família no caso, ao ND Mais. Ele afirma ainda que há incongruências entre os laudos periciais e o depoimento dos policiais, que devem ser esclarecidos ao longo do processo.

Anão da Solidão, morto na praia da Solidão

‘Anão da Solidão’ foi morto após avançar contra policiais com uma faca nas mãos – Foto: Divulgação/ND

“O militar afirma que atirou de baixo para cima, mas o laudo cadavérico aponta que três deles foram de cima para baixo e um na horizontal. As circunstâncias do caso, ao nosso ver, precisam ser melhor elucidadas na instrução processual”, afirmou a defesa à reportagem.

O “Anão da Solidão” passou por um exame toxicológico após a morte, que comprovou a presença de cocaína na corrente sanguínea. Em entrevista ao ND Mais, o advogado informou que a droga pode ter sido utilizada até 48 horas antes da morte dele.

Segundo relatos de pessoas que presenciaram o acontecimento, tudo teria começado quando Betinho iniciou uma discussão com inquilinos da casa. Durante o desentendimento, ele entrou em surto psicótico, pegou uma faca e expulsou as pessoas da casa. Em seguida, trancou a porta e se manteve dentro da residência

Quem era o Anão da Solidão

O “Anão da Solidão” era filho único de dona Joaquina, moradora da região, que alugava quartos na sua casa para turistas durante a temporada de verão. Em entrevista ao ND Mais, logo após a morte, o psicólogo Thomas Fidryszewski, também morador da Solidão, contou que Betinho tinha surtos psicóticos recorrentes.

O psicólogo, que é amigo da família, acompanha os episódios. Ele afirma que Betinho “sofria de transtornos psicológicos que o levaram à dependência química, fatos que potencializavam suas crises psicológicas”.

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