Cientistas revertem diabetes tipo 1 ao reprogramar células adiposas

Cientistas da Academia Chinesa de Ciências Médicas desenvolvem uma nova técnica capaz de “curar” o diabetes tipo 1. No tratamento inovador, as células adiposas (de gordura) do próprio paciente são convertidas em células-tronco e, em seguida, transplantadas no pâncreas. Com isso, o corpo volta a produzir insulina.

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O estudo publicado na revista Cell detalha o caso de um paciente (sem nome divulgado), que está livre do diabetes tipo 1 há um ano. Segundo os autores, o tratamento diário com a aplicação de insulina foi suspenso após 75 dias do transplante.

O caso de provável cura do diabetes tipo 1 faz parte de um estudo clínico de fase 1, em andamento. Dependendo dos resultados deste e dos outros pacientes, a técnica poderá se tornar acessível para as centenas de milhares de pessoas que vivem com a condição. Outras terapias do tipo com células-tronco também são avaliadas contra a doença crônica. Em fase de pesquisa, há um novo remédio que reativa a produção de insulina.


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Impacto do diabetes no corpo

Para entender, em pacientes com diabetes tipo 1, o sistema imunológico destroi as células que produzem insulina no corpo. Estas são normalmente encontradas em ilhotas (conjuntos de células) no pâncreas.

Novo tratamento com células de gordura pode reverter o diabetes tipo 1 e permite que o corpo volte a produzir insulina (Imagem: RossHelen/Envato)

Sem a insulina, os níveis de açúcar no sangue se elevam e começa a faltar energia para as células, o que desencadeia inúmeros problemas de saúde. A estratégia mais simples de tratamento é aplicar diariamente a insulina no organismo.

Novo tratamento do diabetes tipo 1

Nesta nova terapia chinesa, os cientistas inicialmente coletam células de gordura (adiposas) do próprio paciente com diabetes tipo 1. Em laboratório, elas são convertidas em células-tronco “pluripotentes”, com capacidade de se tornarem qualquer outra célula do corpo.

Entretanto, elas são reprogramadas para se tornarem células produtoras de insulina do pâncreas e crescem na forma de ilhotas. Assim, essas ilhotas são transplantadas para a região do abdômen do paciente, onde devem começar a produzir insulina de forma natural. É o que aconteceu com o primeiro caso testado.

Segundo os autores, o transplante das células-tronco para o abdômen tem alguns benefícios. Entre eles, está a facilidade de monitoramento, através da ressonância magnética. Então, é possível saber mais cedo se algo saiu fora do esperado, retomando a medicação padrão.

Mais estudos em pacientes diabéticos

Neste primeiro caso, a estratégia contra o diabetes tipo 1 funcionou de modo bastante eficaz, mas ainda não se sabe se a resposta será igual para todos os pacientes. É possível que as ilhotas produtoras de insulina possam ser destruídas pelo sistema imune, em alguns casos ou após algum tempo. Então, não é possível falar ainda em cura do diabetes, enquanto mais testes de validação não são realizados.

Saiba mais:

Para saber a sua glicemia, diferentes dispositivos disponíveis no mercado conseguem medir o nível de açúcar do sangue. No entanto, será que os smartwatches já podem fazer isso? Confira a resposta no vídeo a seguir: 

 

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