Lula sugere ‘referendo’ sobre territórios na Ucrânia e diz que G20 não vai discutir a guerra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar, nesta sexta-feira (1º), a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Na fala, o petista repetiu a proposta de que “falta conversa” entre os dois lados do conflito e cobrou que a comunidade internacional se posicione para mediar um debate.
Lula também defendeu que uma “boa solução” para a guerra e a disputa dos territórios invadidos seria a realização de um referendo nas áreas ocupadas.
“Eu fico imaginando que falta conversa entre as pessoas. Eu fico pensando: a Rússia diz que o território que eles estão ocupando é russo. A Ucrânia diz que é deles. Por que ao invés disso, não se faz um referendo para saber com quem o povo quer ficar?”, questionou o presidente.
“Seria muito mais simples, muito mais democrático muito mais justo deixar o povo decidir. Consultar o povo pra saber com quem eles querem ficar”, declarou em entrevista à radio francesa RF1, nesta tarde.
Porém, em setembro de 2022, a Rússia promoveu uma iniciativa semelhante. A votação ocorreu durante cinco dias em quatro regiões da Ucrânia — Donetsk e Luhansk, no leste, e Zaporizhzhia e Kherson, no sul. Juntas, elas respondem por 15% do território ucraniano.
Segundo o resultado parcial anunciado pelo governo russo, 96% dos moradores da região, que estão na Rússia e votaram à distância, escolheram ser anexados ao governo de Vladmir Putin. É o que afirmou a agência de notícias estatal do país Tass.
Kiev, assim como países aliados do Ocidente, não reconheceram os resultados e afirmaram que a consulta pública se tratou de uma farsa. Já o chefe do Parlamento russo disse que, com o resultado, as áreas seriam anexadas.
Dias depois, Putin assinou anexação ilegal de territórios ucranianos e mencionou armas nucleares.
Durante a entrevista, Lula também avisou que a Cúpula do G20, reunião dos chefes de Estado do bloco que reúne as maiores economias do mundo, marcada para este mês de novembro, no Rio de Janeiro, não deve colocar em pauta o conflito no Leste Europeu.
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